Meus pensamentos não passam de tentativas errantes de meus meros distúrbios. A vida para mim não passa de uma música sem rima, sem ritmo e harmonia. O tempo passa e juntamente dele, pessoas passam. Passam e não olham para trás.
O horizonte que traduz as nossas vidas, não passam de borrões diante meus óculos de grau. A tentativa de uma vida mais feliz é tão difícil quanto colocar um açaimo em um cão bravo.
Hão de existir aqueles que acreditem na complexidade de viver diante de um sorriso falso em uma quinta-feira. Hão de existir aqueles que rirão e gozarão de experiências que eu nunca imaginei em imaginar. Penso por pouco, e por pouco não penso em nada.
Gasto minhas palavras em melodias tardias, meus passos em caminhos desertos. Me encontro na rua dos sonhos partidos, na esquina de minha alma. Nunca entenderei a ingenuidade de minha mente e o quão longe ela me levará. Escrevo para que parte de mim fique viva, quando pelo mundo meus olhos não chorarem mais.
Os livros pelos quais tanto carrego não passam de meras demonstrações de afeto desvalorizado. E no ápice de minha lucidez perguntarei: "Viver vale a pena ou a pena seria viver?"
terça-feira, 15 de junho de 2010
domingo, 6 de junho de 2010
O óbito da Solidão
O relógio marcava cinco da manhã, num tique-taque insuportável que entrava na cabeça de Ruby, assim como uma agulha penetra um pano longe de ser maciço. Olhava o quarto, a tintura das paredes e a cor alva da penteadeira, que embutia nela um espelho em formato de coração, um pouco torto para direita.
O retrato na cabeceira era de uma mulher de longos cabelos dourados, que abraçava uma menina com os mesmos cabelos e olhos repulsantes. Ruby não conhecera sua mãe. Seu pai também não. Mas não tinha retratos de seu pai, o que a tornava distante dele, o considerando como um homem qualquer. Porém, aspirava um dia encontrar sua mãe, e nela reconhecer todos os sentimentos que o retrato lhe proporcionava. Uma certeza Ruby tinha: a menina ao lado de sua mãe no retratro era ela mais jovem.
Ruby não sabia quando nem como viera parar no orfanato. Simplesmente um dia acordara lá, e observava as paredes, a penteadeira e o retrato. A irmã Gorethe dissera-lhe que o retrato era de sua mãe. E sobre sua família, era a única e benevolente coisa que sabia.
Ao coçar os olhos, Ruby escuta as batidas na porta de madeira corroídas. Era irmã Alice.
- Ruby, vamos! O café está servido na mesa, e vamos tirá-lo as seis em ponto. Vista-se rapariga, não esqueça das saias passadas que colocamos em seu armário. - dizia ela num tom áspero com uma certa quantidade de simpatia.
Ruby levantou-se, colocou as vestes, e olhara seu reflexo no espelho torto da penteadeira. Com uma escova esmeralda, penteava seus cabelos, alisando-os, para ficarem parecidos com os da mãe. Na gaveta ao lado, pegara uma fita púrpura e fez dela um laço perfeito. Desceu para o café.
A escadaria que levava ao refeitório era grande e cansativa, porém o anseio da fome que transbordava em suas veias era definitivamente maior. Mal esperava para as aulas de latim, espanhol, inglês e matemática básica. Ruby se interessava em aprender.
No final do dia, após o banho diário, Ruby ia ao seu quarto e se olhava na penteadeira de novo. Quando iria sair dali? Ficaria para cá todo o sempre? Ruby não sabia, deveras sabia que ficaria lá um bom tempo.
Enquanto deitava na cama, ela sussurava a música que embalava seus sonhos, todas as noites: " Durma bem, durma bem, que mal não tem. A noite está chegando, o dia indo embora, durma menina, que já é hora". Cantava-a até dormir.
Profunda fora a melodia naquela noite. Ruby não parara de a cantar. A luz a clamava alto, a fazendo sussurrar a melodia agora. E olhando para o retrato, seus olhos caíram estagnados, e seu corpo permaneceu em ócio.
O relógio marcava cinco horas da manhã, o tique-taque não incomodava agora. O quarto com suas paredes e cores, a penteadeira alva não receberam olhares curiosos nessa manhã. Irmã Alice batia a porta:
- Ruby, vamos! O café está servido na mesa, e vamos tirá-lo as seis em ponto. Vista-se rapariga, não esqueça as saias. Ruby, anda-lhe!!
Dados trinta minutos, Alice voltara a porta corroída.
- Que passas com tu, rapariga? Hei de chamar a irmã superior, está me escutando Ruby? Está me deixando preoucupada. Ruby, respon..
O retrato na cabeceira era de uma mulher de longos cabelos dourados, que abraçava uma menina com os mesmos cabelos e olhos repulsantes. Ruby não conhecera sua mãe. Seu pai também não. Mas não tinha retratos de seu pai, o que a tornava distante dele, o considerando como um homem qualquer. Porém, aspirava um dia encontrar sua mãe, e nela reconhecer todos os sentimentos que o retrato lhe proporcionava. Uma certeza Ruby tinha: a menina ao lado de sua mãe no retratro era ela mais jovem.
Ruby não sabia quando nem como viera parar no orfanato. Simplesmente um dia acordara lá, e observava as paredes, a penteadeira e o retrato. A irmã Gorethe dissera-lhe que o retrato era de sua mãe. E sobre sua família, era a única e benevolente coisa que sabia.
Ao coçar os olhos, Ruby escuta as batidas na porta de madeira corroídas. Era irmã Alice.
- Ruby, vamos! O café está servido na mesa, e vamos tirá-lo as seis em ponto. Vista-se rapariga, não esqueça das saias passadas que colocamos em seu armário. - dizia ela num tom áspero com uma certa quantidade de simpatia.
Ruby levantou-se, colocou as vestes, e olhara seu reflexo no espelho torto da penteadeira. Com uma escova esmeralda, penteava seus cabelos, alisando-os, para ficarem parecidos com os da mãe. Na gaveta ao lado, pegara uma fita púrpura e fez dela um laço perfeito. Desceu para o café.
A escadaria que levava ao refeitório era grande e cansativa, porém o anseio da fome que transbordava em suas veias era definitivamente maior. Mal esperava para as aulas de latim, espanhol, inglês e matemática básica. Ruby se interessava em aprender.
No final do dia, após o banho diário, Ruby ia ao seu quarto e se olhava na penteadeira de novo. Quando iria sair dali? Ficaria para cá todo o sempre? Ruby não sabia, deveras sabia que ficaria lá um bom tempo.
Enquanto deitava na cama, ela sussurava a música que embalava seus sonhos, todas as noites: " Durma bem, durma bem, que mal não tem. A noite está chegando, o dia indo embora, durma menina, que já é hora". Cantava-a até dormir.
Profunda fora a melodia naquela noite. Ruby não parara de a cantar. A luz a clamava alto, a fazendo sussurrar a melodia agora. E olhando para o retrato, seus olhos caíram estagnados, e seu corpo permaneceu em ócio.
O relógio marcava cinco horas da manhã, o tique-taque não incomodava agora. O quarto com suas paredes e cores, a penteadeira alva não receberam olhares curiosos nessa manhã. Irmã Alice batia a porta:
- Ruby, vamos! O café está servido na mesa, e vamos tirá-lo as seis em ponto. Vista-se rapariga, não esqueça as saias. Ruby, anda-lhe!!
Dados trinta minutos, Alice voltara a porta corroída.
- Que passas com tu, rapariga? Hei de chamar a irmã superior, está me escutando Ruby? Está me deixando preoucupada. Ruby, respon..
Assinar:
Postagens (Atom)