domingo, 31 de julho de 2011
Por um momento doeu-me os lábios. Estavam eles rígidos, comprimidos em uma só linha. Logo te vi ao longe. Meu cenho por um instante estalou-se e o sorriso brotou-me no rosto de uma forma sem igual. Era um anjo, eu sei, um anjo na Terra. Mal lembro-me do que fiz depois. Só tinha que ir embora, meus olhos não suportariam a beleza de um anjo. Era um anjo, eu sei, um anjo na Terra.
Carpe Diem
Então ele olhou-a deitada com ternura, abriu um sorriso e aconchegou seu travesseiro. Não cobriu-a com lençol, mas com amor.
- Pudera eu renovar a face sadia, não mais que alva, e o brilho dos olhos que vêm apodrecendo-se por dentro, que a cada dia morre em mim, morre junto de mim. – disse ela balbuciando.
- Não se morre duas vezes, mas vive-se quantas quiser
- Pudera eu renovar a face sadia, não mais que alva, e o brilho dos olhos que vêm apodrecendo-se por dentro, que a cada dia morre em mim, morre junto de mim. – disse ela balbuciando.
- Não se morre duas vezes, mas vive-se quantas quiser
Rêves
De tanta perfeição que cubro-te
Esqueço que és humano
Esqueço que és homem
E que pode me amolgar
Porém de outro lado lembro
Num desvaneio desatento
Que é bem melhor te amar.
Esqueço que és humano
Esqueço que és homem
E que pode me amolgar
Porém de outro lado lembro
Num desvaneio desatento
Que é bem melhor te amar.
Poema Frívolo
Olha que vida pacata
Na cidade pacata
Olha que vida vazia – a minha
Na cidade cheia de gente.
Dentro do coração pacato
A cidade pacata é vazia
Mas é cheia de gente – vazia
Na cidade pacata
Olha que vida vazia – a minha
Na cidade cheia de gente.
Dentro do coração pacato
A cidade pacata é vazia
Mas é cheia de gente – vazia
Planjo
Hoje as lágrimas doem-me os olhos
Elas ardem, queimam meu coração
Por isso eu as enxugo com ódio
Ou talvez não
Outra vez não.
Eu as guardo numa sacola
Para um dia entregar-te
As lágrimas sofridas
Não queria que elas fossem assim
Ou talvez eu quisesse
Outra vez.
Elas ardem, queimam meu coração
Por isso eu as enxugo com ódio
Ou talvez não
Outra vez não.
Eu as guardo numa sacola
Para um dia entregar-te
As lágrimas sofridas
Não queria que elas fossem assim
Ou talvez eu quisesse
Outra vez.
Amnésia
A cidade não dorme
E nem eu
Ele não sai da minha cabeça
Mas ele já esqueceu
E eu sempre esqueço de lembrar isso.
E nem eu
Ele não sai da minha cabeça
Mas ele já esqueceu
E eu sempre esqueço de lembrar isso.
Ciclo
Desviava o rosto para não afogar-se no olhos dela, perfeitos círculos que insistia em escapar. Desviando o rosto, desviava também a alma,entalhada de beatitudes. E quando a noite cai, turva que só ela, os sonhos atormentam seus pensamentos mais vibrantes e todos os desvios tornam-se inúteis. É quando ele abre os olhos e percebe toda quimera e desvia de novo.
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