segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Mortografia

Terno e um par de sapatos escuros. O funeral estava cheio de flores. Eles sabiam que as flores nascem da terra, e o pai da moça ia jazer no mesmo lugar: “Uma futura flor!” diziam a ela, como palavras tristes de conforto e angústia. A verdade é que o pai seria um fertilizante de girassois.
Ela se lembrava da maneira com que o pai se matou. Jogou-se do quinto andar do prédio, caiu como um pacote no chão. Motivo? É o que seus olhos buscavam freneticamente ao olhar o corpo do pai. Ele a amava, decerto, e ela também. Na lápide estava escrito, em fomarto de homenagem, o sentimento favorito: “Paichão”. Essas ironias do destino...

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Pueril II

Seria a solidão derivada do sol, que brilha sozinho?

Mártir

Abram as portas
E todos os portões
Chegarei conclamando:
- Hoje o sol vem de noite!

Primeira Avenida

Enquanto durmo serena,
José visita meus sonhos
Malditos sonhos
Que guardei no bolso.

Paróquia

A casa tem olhos
Que veem as flores
Que nada exalam
Apenas as dores
Que vejo na casa
Mas nada enxergo
Apenas as dores
Que as flores não veem.

Elas não têm olhos
E nem compreendem
Nasci poeta, nasci errada
Me encontro no nada.
Mas, a casa tem olhos
Que veem minha vida
Que nada floresce
Apenas feridas.

Grão

Olhe você
O tempo passou,
A face mudou,
Você não chorou.

Olhe você
Você se perdeu,
E nem entendeu
Que o mundo morreu.

Olhe você
Você que não ama,
Adora e reclama
Suspira na cama.

Olhe você
Que um dia foi meu,
E nunca morreu
Dentro do eu.

Olhe você
Que já se matou,
E nem chorou
E já se mudou.

Olhe você
Que foi morar longe,
E no refúgio se esconde
Só bebe da fonte.

Olho você
De cima, do céu
Flutuando no fel,
Você não chorou.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Pueril

Pra que a inteligência se temos as bundas?