sábado, 26 de maio de 2012

Tudo Nesse Mundo É Poesia


Tudo nesse mundo é poesia
Até o nada, até o escuro e a maldade.
Tudo nesse mundo é verso
Descaso, desconexo, o inverso
Tudo nesse mundo é letra
A palavra proferida, a preferida, a prometida.
Tudo nesse mundo é poesia
Até você, que não a lê e a escreve sem saber.

Oh, Deus, que me dera o dom da poesia
Se é boa ou não, não se discute
Pois que escrevo inteiramente e totalmente para  mim
Não agrado, não iludo, não convenço.
Penso que nem tudo nesse mundo é poesia
A começar pelo amor, que chora todo dia
Enquanto a poesia sorri e morre nos olhos.

Eu que não escrevo pra mudar o mundo
Ousadia seria tentar
Escrevo por amar, amar
O ofício de não pensar
Porque falta de memória é poético:
É pensar, sem pensar em pensar, já pensando.
Obrigada, poesia, eu te encontrei!

Já insisti em rimas
Em sonetos
Alexandrinos, nem hei de tentar
É dessa forma errante, intercalada
Que grafo, escarro, tiro sarro
Da poesia enlatada das massas
O que é então a alegria?
Eu a fitar, digo e depois pensaria:
Dedico minha vida inteiramente à poesia!

sábado, 5 de maio de 2012

Oração

Perdoa-me, Senhor
E sei que há perdoado
Pois não há nada mais triste
No mundo, que amar o próprio pecado

Não farei Gregório
Nem Bocage hei de cantar
Canto no peito um triste brando
Da triste forma de amar

Amar, então, eu suponho
Que pecado tem o mar
Que é salgado como fogo
Dos meus olhos a saltar

Cansei de beijar-te a mar.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Amásio

Beije a boca da tua menina/ Dela e das outras meninas/ Das outras meninas e minha/ Que nunca fui outra – e nem vou ser/ Que graça teria a vida, sem pecado viver?/