"- Informo-lhes que estamos caindo, estamos caindo senhores passageiros. Atenção, isso não é um treinamento! Turbulência alta, repito, turbulência alta! - dizia o Amor.
- Não estamos em um avião..- dizia, num tom áspero, a Realidade - É um coração batendo, idiota. E nem está tão rápido assim.
- Coração?
- Por aqui - disse a Realidade, adentrando mais o coração que batia vivo, 'turbulenciando'."
Eu não tenho muito a dizer sobre o amor. As pessoas das quais amei intensamente foram apenas frutos da minha imaginação. E uma vez tornadas reais não eram do jeito com que eu imaginava. O fato resume-se à isso: amor de menos, para pessoas demais. Tão complicado e sagaz é o amor, mal cabe no peito. O amor tornou-se casual, como os folhetins de jornais antigos. Pessoas o leem, riem não entendendo nada e depois o jogam na lixeira. Comentam o fato com alguns, aborrecem-se com selecionados casos, mas no fim é sempre deixado de lado. Folhetins de amor, Oh! Que ironia.
"- Tem certeza que é o coração certo? - dizia o Amor, desconfiado.
- Sou a Realidade. Se não eu, quem te falaria a mais pura verdade? - dizia a Realidade, apertando forte a mão do Amor.
- Onde fica minha cadeira? - perguntava o Amor. - Hein? Hein?
- No fundo do coração.
- Terceira classe? Mas eu paguei pela primeira classe, isso é uma calúnia, Realidade. - choramingava o Amor.
- Ninguém te quer. Não há dinheiro que te compre! Se não eu, quem te falaria a mais pura verdade? - repetia a Realidade."
Dizem que o verdadeiro amor é apenas uma vez na vida.
"O Amor embarcava na terceira classe do coração. Apertava os cintos e respirava ofegante.
TUM, TUM, TUM."
Um dia ouvi um coração bater enquanto observava o céu escuro e de poucas estrelas, deitada em uma rede. Nem se dava ao prazer de bater mais rápido devido a minha presença. Amei-o como ninguém jamais amou-o naquela noite. Meu coração batia rápido, quase o dobro do dele.
" O amor olhou para o lado. Avistou a Felicidade sentada em sua frente.
- O que fazes aqui Felicidade? Era para estares no topo do coração!
- A Realidade me embarcou aqui. - respondia a Felicidade.
Olhou com mais atenção a terceira classe. Alegria, Animação, Felicidade..até o Amor. Todos no mesmo tipo de embarque.
- Quem está na primeira classe? - perguntava o Amor a Felicidade.
- Ira, Tristeza e Ilusão. A Realidade fica mais tempo aqui do que lá, mas hoje dormirá por aqueles cantos. - Respondia a Felicidade, sonolenta que só.
O Amor entristeceu-se. Logo foi levado ao sono, ao esquecimento. - ' Ninguém me quer aqui'- pensava. Acabou envelhecendo, adoecendo. Queria outro coração.
- Não se pode mudar de coração, Amor. Se não eu, quem te falaria a mais pura verdade?"
Eu te amo. Acredita?
sábado, 18 de setembro de 2010
Meu Herói
Heróis nunca foram indestrutíveis. Heróis se machucam,às vezes falham e nem sempre adquirem resultados bons em suas tentativas. Os heróis choram, caem, se cortam. Heróis são mais frágeis do que as outras pessoas. Os heróis são aqueles que conseguem tirar-lhe um sorriso mesmo quando a única coisa que te resta são lágrimas. Eles conseguem tirar-lhe do escuro, cicatrizar suas feridas e fazer-te sentir-se bem. Embora todas as qualidades e expectativas esperadas de um Herói, eles não são perfeitos. A verdade é que Heróis são meros humanos, apenas com a capacidade de tornar qualquer ambiente agradável e contagiar-te com seu brilho maravilhosamente abundante. Alguém mais além de mim conhece um Herói?
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Esse texto foi feito para o meu irmão Pedro, uma das pessoas mais especiais da minha vida!
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Esse texto foi feito para o meu irmão Pedro, uma das pessoas mais especiais da minha vida!
domingo, 5 de setembro de 2010
A Penumbra
Corria atrás de sua penumbra tentando alcançá-la.
- Não há de conseguir menino, não há! - dizia a mãe em um tom de certeza.
Olhava para ela desprezando-a, voltava a andar atrás de sua penumbra.
-Já disse-lhe. Se machucares mais uma vez seu joelho menino, não jantarás.
Dessa vez ele nem olhou.
- Haja teimosia, menino! Não conseguirás, ouça-me.
- Deixe-me correr atrás dela, senhora. - disse o menino, ofegante.
O menino ainda tentava correr, e assim ia: circulando, circulando, circulando. De tonto, parou. Olhou para a mãe sentada em um toco de árvore cortada, aspirando o cigarro de palha diante de sua boca rígida.
- Corro, corro.
- Não há de conseguir menino, não há!
- Corro, corro.
- Não há de conseguir menino, não há!
- Corro, corro.
- Não há de conseguir menino, não há!
A penumbra era quem corria agora.
- Não há de conseguir menino, não há! - dizia a mãe em um tom de certeza.
Olhava para ela desprezando-a, voltava a andar atrás de sua penumbra.
-Já disse-lhe. Se machucares mais uma vez seu joelho menino, não jantarás.
Dessa vez ele nem olhou.
- Haja teimosia, menino! Não conseguirás, ouça-me.
- Deixe-me correr atrás dela, senhora. - disse o menino, ofegante.
O menino ainda tentava correr, e assim ia: circulando, circulando, circulando. De tonto, parou. Olhou para a mãe sentada em um toco de árvore cortada, aspirando o cigarro de palha diante de sua boca rígida.
- Corro, corro.
- Não há de conseguir menino, não há!
- Corro, corro.
- Não há de conseguir menino, não há!
- Corro, corro.
- Não há de conseguir menino, não há!
A penumbra era quem corria agora.
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