segunda-feira, 26 de abril de 2010

Estandarte

Peço-lhe que não ame por demais
Que adore normalmente
Os adornos que a ela pertence
Mas que não sejam banais.

Peço-lhe que não lhe mostre as estrelas
Mas nem que lhe apresente a escuridão
Às vezes pica-lhe com a caldoneira
Do que com a flecha que tens nas mãos.

Guarde a visão do céu para minha chegada
Nele as estrelas estarão entrelaçadas
O refúgio mais duradouro qualquer
E todas as felicidades que vier.

E se não guardares o céu para a visão
Com a mesma flecha que tens nas mãos
O céu dançará nas lágrimas perdidas
De um amor à ela que foi em vão.

domingo, 11 de abril de 2010

O Presságio

As brigas, injúrias e todos os outros xingamentos ocultos me parecem tão convidativos. Me chamam a entrar, clamam meu nome em voz alta. Injetada nas ilusões, caminhando entre as ladrilhas, vejo uma luz branca e equidistante. Dói-me os olhos por tentar vê-la com mais vigor, atenção;
A felicidade parecia escorrer por meus dedos e descer lenta e cruelmente pelo meu braço. Queimava-me por dentro, por mais alva que fosse a luz a poucos quilômetros de mim, tão alva que parecia congelada.
Andava segundo às batidas do meu coração. Descordenadas elas eram, mas pois assim andava. Cada batimento era um fel desagradável e ocioso, turvaram-se meus olhos. Cheguei, por fim, próxima a luz. Sentia meu corpo gelado, ou melhor, não o sentia. O coração por si só parava a cada sussuro tentado por meus lábios. Encontrei-me no chão, jogada meramente de lado.
Tum - meus olhos pesados fecharam ;
Tum - meus movimentos cessaram ;
Tum - meus sussurros acabaram ;
Onde estão os batimentos do meu coração?

quarta-feira, 7 de abril de 2010

22:05

Dos pensamentos descrentes
Que se enrroscam em mentes
Dos estranhos, loucos inconsequentes
Dos lúcidos, céticos e independentes.

Das sabedorias desconhecidas
Um pássaro, um sabor, uma vida
Não há um que desacredita
Na desventura da vida bonita.

Que céus sejam louvados
Por si só consagrados
E por opção, serem amados.

Que todos os pensamentos descrentes,
Assim sejam benevolentes
Embarquem em navios por todas as mentes.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Oh! Pobre Yuri

Não que o adultério coagisse em sua mente diversas vezes. Margot só queria alguém lhe desse do bom e do melhor, coisa que Yuri, Oh! Pobre Yuri, nunca foi capaz de dar. Casou-se por alguns contos de réis. Yuri não tinha pretendentes, o que preocupava D. Flora, sua mãe. Pagou Margot para casar-se com o filho. " Mas valha-me senhorita, não queres casar-te com meu pequeno? Te ofereço os réis que forem necessários!". Margot não podia recusar dinheiro naquela época e consentiu.
Yuri não era bonito. Tinha a boca desenhada por uma reta e, embora sorrisse com muito vigor, seus dentes desalinhados e hipocorados chamavam os olhares alheios a entrar em riso. Era magro e pálido como pó-de-arroz. Era o meão de outros dois irmãos: Benedito e Francisco.
Nunca dera sorte no amor. Benedito sempre enamorado, noivo... e estava sempre às portas dos bordéis de esquina. Francisco, embora cético, era astuto. Não demorou muito para que, aos lívidos catorze anos de idade, namorasse Belinda.
Yuri era a cruz que Margot carregava. Linda, de lábios carnudos e convidativos, coligia olhares por onde passava. E Yuri, Oh! Pobre Yuri, sempre deixado para trás.
Embora descrente, acreditava que um dia seria feliz. Oh! Pobre Yuri, que ilusão.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Um Homem Inigualável

Teve uma infância sofrida, sim. Meu avô, um homem culto, esbelto e muito inteligente. Um homem de respeito, do qual me orgulho muito. Nasceu e morou em Jaú, interior de São Paulo desde os catorze, quinze anos. Morava com seus pais: Júlia e Hugo.
Júlia tinha muitos problemas, batia em vovô sem razão. "Jacyr, venha menino, quero bater em você!". Meu avô, sem escolha, ia apanhar. Apanhava forte, e muitas vezes era acertado por tijolos e outros objetos duros. Júlia não zelava muito o estudo, do qual vovô tinha muito amor. Mandava-0 trabalhar, para receber dinheiro e sustentar a casa. Baniu ele de estudar.
Cansado de sofrer, foi à São Paulo com quinze anos morar com uma prima. Uma casa simples e pequena ela tinha e vovô morava aos fundos. Para entrar em seu quarto, ele tinha de engatinhar. A porta era pequena, e o quarto muito frugal. A vida era sofrida, mas vovô queria muito ter uma formação e ser um homem de respeito.
O desespero corria entre suas veias. O primeiro emprego que encontrou foi dado pelo namorado da prima, de datilógrafo. Passava o dia em seu quarto, escrevendo para o namorado de sua prima. Comia apenas um prato de sopa por dia, e teve de aprender a sustentar seu corpo e mente com isso. Tinha duas blusas, uma calça e duas meias. As lavava constantemente, por não tinha outro trapo com o qual se vestir.
O namorado era um homem de uma índole suspeita, e parou com os pedidos de digitação. Sem datilografar, meu avô passou a não receber dinheiro e nem os pratos de sopa. Não tinha escolha a não ser chorar. Chorava de desespero, tristeza e de fome.
A preocupação, ou o sentimento de culpa, acredito eu, tomou conta do namorado de sua prima. Veio ao quarto de vovô perguntar porquê ele chorava. "Eu choro pois tenho fome", respondeu ele.
Com as datilografias, meu avô conseguiu terminar os estudos e passou a ser delegado de polícia. Casou-se com minha avó, e dela recebeu seu primeiro terno de presente. Com o passar do tempo, a vida se estabilizou. Vovô foi procurar sua mãe, para ajudá-la dando-lhe dinheiro, comida e roupas novas.
A única certeza de que tenho na vida, é que sempre admirarei meu avô. Um homem inigualável e batalhador.

Rosas Escarlates

Homens, cansados de si, tentam encontrar uma saída. Um refúgio qualquer, outro sonho desconstruído, outra alegria de viver. Homens, mas uma vez cansados de si, tentam padecer sozinhos, refazer os estados mais agravantes como o delírio da mente, as mãos de suor trabalhadas e o mais irradiante sussurro.
Dar-lhe-ia felicidade, se permitisse sorrir em dias nublados e de muita lástima. Dar-lhe-ia fortunas amorosas, diamantes remendados e um inaudito amanhecer. No fidedigno, não daria nada. Se rosas que um dia foram escarlates, e hoje assistem do mais encardido e podre estado, o que seria de meus desejos diluídos no mais recente olhar?