quarta-feira, 7 de julho de 2010

Linhas Íntimas

Era saudável; mostrava picos de felicidade e tristeza. Motivo não tinha, o drama corroía seu coração. Não sabia muito bem o que queria ser da vida, apenas queria (re)descobrir o mundo e passá-lo adiante em meras linhas desordenadas em seu caderno antigo. Nascera na época errada, dizia sua mãe. Tinha fortes ligações com o passado, embora não tenha o vivido. Criava doenças e as curava, criava decepções e as esquecia na luz da manhã seguinte.
Não gostava das galhofas, nem das maravilhosas histórias sobre querubins. Sua felicidade era encontrar livros e neles grafar seu nome, um nobre jeito áspero de despertar um humilde egoísmo. Põe-os na prateleira, e admira-os como uma das virtudes mais impecáveis do mundo. Por muito não lia-os, mas a certeza de que eram seus dava-lhe todo o sabor de inventar seus heróis e matá-los quando bem entender.
Nunca entendera si mesma, sempre quis que outros a entendessem. A música que tenta seus lábios é a mesma que a leva a sorrir e chorar.
Prosa ou poesia, escrevia os dois. O tapete azul que cobre sua cabeça e a faz sentir-se melhor é o mesmo tapete esquálido que fica em sua sala de estar.
Quem é ela eu não sei, alguém gostaria de apresentar-me?

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