Corria atrás de sua penumbra tentando alcançá-la.
- Não há de conseguir menino, não há! - dizia a mãe em um tom de certeza.
Olhava para ela desprezando-a, voltava a andar atrás de sua penumbra.
-Já disse-lhe. Se machucares mais uma vez seu joelho menino, não jantarás.
Dessa vez ele nem olhou.
- Haja teimosia, menino! Não conseguirás, ouça-me.
- Deixe-me correr atrás dela, senhora. - disse o menino, ofegante.
O menino ainda tentava correr, e assim ia: circulando, circulando, circulando. De tonto, parou. Olhou para a mãe sentada em um toco de árvore cortada, aspirando o cigarro de palha diante de sua boca rígida.
- Corro, corro.
- Não há de conseguir menino, não há!
- Corro, corro.
- Não há de conseguir menino, não há!
- Corro, corro.
- Não há de conseguir menino, não há!
A penumbra era quem corria agora.
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