quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Mortandade Egoísta

Ontem, cerca de oito horas da noite encontraram o Dr. Simão
Jogado por entre os sofás de couro.
Trazia o paletó sujo de sangue jogado ao seu lado
Em sua blusa social um grito de dor melancólico.
Sua alma gritava-lhe uma liberdade indescritível
Não podendo ser medida por mentira qualquer!
Se um dia houve honestidade, esse dia nunca existiu.
Mataram a pessoa errada, olhe que pena.
Dr. Simão agora passava pela antena parabólica da televisão.
Dr. Simão, um homem tão bacana!
Como fizeram isso com Dr. Simão?
Olhe você que pena, quem fez isso não vale um tostão.
Andava triste e sozinho
Dr. Simão precisava de carinho.
O tiro estreito e mirado, mata.
Queria ter dito ao Dr. Simão
Como a vida é ingrata!
Olhe você que pena, que tamanha ingratidão.
Dr. Simão foi embora, sem antes dar explicação.
"Explicação nenhuma requer, não julgue-me assim!"
Dizia o assassino, olhando para mim.
Olhe que pena, que pena.
Dr. Simão se matou
Nem para dar adeus ele voltou.
Realmente uma pena, uma pena.

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