segunda-feira, 8 de novembro de 2010

O Cofre - Parte I

- Olhe bem meu amor..essa casa, essas escadas! É um lugar perfeito para nos amarmos. Os detalhes e acabamentos de gesso, os quadros caros. É a casa dos seus sonhos, não? - dizia Francisco, olhando com ternura para Amália.
- É realmente muito bonita, Francisco. Mas sabes, casa nenhuma me comprará! Se eu não quiser casar com você não há quem me impeça. - dizia Amália, franzindo o cenho.
- Estou apenas lhe apresentando a casa, minha amada Amália. Pode ir embora se quiser, ou pode ficar sua vida inteira aqui. Desde de menino quis casar-me com uma mulher luxuosa, cheia de pérolas despencadas pelo pescoço. Assim como você, Amália. Trouxe enguia para jantarmos. - dizia ele, sorrindo.
As feições de Amália podiam ser comparadas facilmente com as de um anjo. Os cabelos louros e encaracolados, presos numa fita azul-esverdeada,davam um ar de doçura ao seu olhar vibrante, jovial e eterno.
- Só para o jantar Francisco. Um jantar e nada mais! - disse séria. Seu olhar jovial agora tornara-se pequenos, com as pupilas banhadas em abismo.
Francisco servira o jantar. Sorria para ela como jamais sorriu à alguém. Era sua mulher amada, a qual queria casar e ter filhos.
- Sabe Amália, a luz das estrelas me trazem a lembrança de seu olhar. Lembra-se da última vez em que esteve comigo? Contamos as estrelas, Amália. Uma delas parecia o seu olhar. - disse, servindo-a o vinho.
- Lembro-me Francisco. Fora ótimo esse dia, eu jamais poderia esquecer. Mas faz tanto tempo, Francisco. Por que do nada trouxe-me aqui com esse aranzel de piá apaixonado? Casar..faz anos que não nos vemos. - disse ela séria, tentando conter o feixe de felicidade interior.
Francisco não sabia ao certo. Pegou um retrato antigo de Amália e quis casar-se com ela.
- Pouco importa os motivos, amada Amália. Sabes que sempre gostei de ti, e não a deixaria jamais! Durante todos esses anos, meu anjo, eu amei-te. Encontrei-me com outras raparigas sim, mas nenhuma delas tinham a perfeição que tens. Tanto por fora quanto por dentro. Minha amada, aceite-me como seu marido. Por favor. - disse, tirando do bolso um anel de ouro branco, reluzente.
- Não posso Francisco. Achei tudo muito lindo..o jantar, a casa, os talheres. Mas não quero casar-me. Não com você!
- Qual o problema de casar-se comigo, Amália? Eu amo-te tanto. - dizia Francisco sério. Não mostrava nenhum sorriso nos lábios.
- Não gosto-te igual. Sabes disso. - disse ela, ainda mais séria.
- Lembro-me bem de seu passado. Não quero viver tudo novamente. Meu coração não pode mais ser partido quando nunca foi inteiro.- lágrimas agora escorriam pela feição de Francisco.

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