domingo, 13 de fevereiro de 2011

Onde tudo começou...

Esses dias estava em casa sem ter muito o que fazer. Resolvi reler umas cartas antigas, ver fotos de infância..uma coisa relativamente costumeira tratando-se de mim. Bem lá no fundo de meu armário, encontrei um caderno meio surrado e comecei a folheá-lo. Era um caderno escrito por mim, aos doze/treze anos, com poemas, músicas,prosas e textos. Veio-me a ideia de reescrever alguns trechos aqui. Nada melhor que recuperar palavras, reciclar pensamentos e repassá-los a diante. Espero que gostem!

"Você é assim para mim: lembrança queimada cuja a cinza ainda permanece intacta...e o vento não a leva. Eu rezo para que o vento seja mais forte ainda, para levar as cinzas de mãos beijadas e a pronta entrega para quem é feliz demais."
(Cinzas Trazidas pelo Vento - 2007)

"Devíamos cair da cama para ver o sol raiar, devíamos sair da televisão para ver que uma tarde com os amigos não afeta a conta de luz da nossa casa. Devíamos parar de ver a novela das oito para um jantar em família, pois algum dia ela não estará mais completa. Devíamos ver o anoitecer e o quão grande é o brilho das estrelas."
(Para Viver a Vida - 2007)

"Viajo a qualquer lugar/Em busca de onde encontrar/O sóbrio sentimento frio/Que me afasta de você.
Deixe o sol aparecer/E a escuridão clarear/Porque eu quero inflar/O sentimento que você quer me dar."
(Trecho da música "Inflável" - 2007)

"Eu gostaria que a vida fosse como as músicas que insisto em escrever. Elas têm 'ponto final' e 'vírgula'e eu posso colocá-las na hora em que seja a hora da decadência, onde o vento puro transformou-se em crusciana."
(A Ciranda - 2008)

"Naquela mesa de cafeteria barata estava eu. Como de costume, observando as pessoas e as julgando sem avíso prévio. Nisso me veio um senhor...aparentava ter idade, bastante idade. Ele me disse: ' Com licença moça, poderia falar umas palavras para você?'. Eu, assustada como jamais estive antes, disse um 'Pode' com a voz trêmula e sussurros enganosos por dentro. Ele sorriu para mim, eu sorri timidamente para ele."
(O Passageiro - 2008)

"Políticos roubando/Gente honesta tentando/Corrupção é a mais entre outras mil/Essa é a realidade do Brasil"
(Trecho da música "Vândalos Inocentes" - 2008)

"Quando me dei conta eu ainda estava na rua, deitada na calçada, beirando o asfalto gasto e sujo. Percebi que tinha deixado a ilusão escorrer pelos meus dedos e descer ardendo em meus braços. Fui embora na manhã seguinte, acordada por um mendigo."
(A Casa - 2008)

"A mera lembrança que eu carrego do dia em que ele ficou com ela foi de um sorriso que guardei (...) Ele não sorriu, propriamente dizendo, para mim. Mas eu senti que metade daquele riso se encaixava na lágrima que eu tinha deixado rolar naquele mesmo instante."
(Meu Primeiro Amor - 2008)

"Sem deixar de pensar no amanhã, eu sigo em frente. Percorro meu caminho, enriqueço meus encantos, fujo dos males e abundâncias sem pretexto. Sem deixar de pensar no hoje, vivo cada dia por viver (...). Sem deixar de pensar no ontem, eu pego minha mochila e fujo para longe. Recorto minhas lembranças, embrulho-as em amargura (...). Sem deixar de pensar na vida, penso em você. Pois és meu ontem, hoje e amanhã."
(Sem Deixar de Pensar no Amanhã - 2008)

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