domingo, 19 de dezembro de 2010

Herdeiro Forçoso

Um dia veio-me um homem
Sorridente, prazenteiro, amável.
Perguntou-me sorrateiramente
O que escrevi em meu legado.

Encarando-o respondi,
Que legado nenhum havia aqui
Apenas minhas palavras formadas de um sussurro
Que não valem nem o inteligente, quem dirá o burro.

"O que há em seu legado?"
Insistia o homem feliz
Não há nada que a vida ofereça
Que eu já não fiz.

Desgostosa respondi:
"Meu legado são as palavras
Soltas, confusas, enumeradas
Meu legado é meu coração, nobre passageiro da estação."

"Seu legado triste é"
Repetia o homem na avenida
Enquanto os olhos se abriam
E fechavam a triste janela da vida.

Foi embora resmungando
Me tornei contente, feliz dançando
À marcha do amor odiado
Na avenida jazia o meu legado calado.

Um comentário:

  1. "...idade de menina, perfil de gênia..."
    em cada verso, cada estrofe, fica esboçada a sua paixão.

    by: Danilo ALmeida

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