- Sabes que fez errado, não? – indagava Amália,
- Sei. O ciúme tocou-me a alma Amália. Todas aquelas jóias dadas por aqueles homens do bordel. – dizia ele raivoso.
- Mas pertenciam a mim, Francisco. Tu nem sabia o que eu ia fazer com as jóias. Eu ia viajar para estudar, Francisco. Depois que perdi tudo, inclusive o seu amor, me encontrei sem saída. Empobreci, adoeci. – dizia Amália, pela primeira vez chorando.
- Pois então, amada Amália. Eu vendi todas aquelas pedras foscas e horríveis para construir a nossa casa. Essa casa, Amália. Essa cadeira onde sentas, o piso que pisas, o ar que respiras. – dizia ele encantado com as próprias palavras.
- A necessidade de amparo fez com que me procurasse de novo, Francisco. Essa história de amor é uma piada. Não restou nada em seu coração, apenas a luxúria e a avareza. Tu nunca será nada Francisco, nada. Não vale o pão que comes. – disse Amália pegando seu sobretudo e seu chapéu aveludado. – Quer saber? Vou-me indo. Prefiro a chuva à suas mentiras!
- Não faça isso comigo, Amália. Não faça isso comigo. Tu não sabes do que sou capaz Amália, não sabes! – disse ele apertando-a pelos braços.
Os gestos e atitudes de Francisco passaram a ser bem rudes. Segurou-lhe os braços, roubou-lhe um beijo e a batia no rosto.
- Tu que não presta, Amália. Recusou o meu amor, recusou a linda casa que fiz para ti e agora rejeita meus beijos. – disse Francisco, apalpando o bolso da calça social, e tirando dele uma arma. – E sabe, amada Amália..és tão linda, perfeita! Poderíamos ser um casal tão lindo se não fosse esse seu orgulho. Mas terá o que merece, amada Amália. – puxou então o gatilho.
Antes que pudesse dizer alguma coisa, Francisco acertou em cheio seu peito esquerdo. Amália não sentia mais suas pernas, seu tronco, seus braços. A casa, o rosto de Francisco e todo o resto foram tornando-se borrões sem nenhum sentido. Fechou os olhos.
Francisco colocou seu corpo dentro do carro e levou-o até sua casa. Despejou o corpo na cama, e trazia nas mãos a faca que pegara em sua cozinha. Aproveitou o furo do tiro, e cortou o resto de seu peito com a faca. Com muito esforço, quebrou-lhe as costelas até que conseguisse pegar seu coração. Olhou-o chorando.
- Desculpe, amada Amália. –disse chorando.
Francisco arrombou o cofre e despejou o coração de Amália nele.
- Se não pode amar-me, não amará mais ninguém. – disse indo embora, cantarolando uma feliz melodia.
Sua escrita é empolgante, é suave, faz com que possamos ter a exata imaginação durante a leitura, deixando assim a mesma cada vez mais atrativa. Parabéns.
ResponderExcluirby: Danilo Almeida