sexta-feira, 2 de abril de 2010

Um Homem Inigualável

Teve uma infância sofrida, sim. Meu avô, um homem culto, esbelto e muito inteligente. Um homem de respeito, do qual me orgulho muito. Nasceu e morou em Jaú, interior de São Paulo desde os catorze, quinze anos. Morava com seus pais: Júlia e Hugo.
Júlia tinha muitos problemas, batia em vovô sem razão. "Jacyr, venha menino, quero bater em você!". Meu avô, sem escolha, ia apanhar. Apanhava forte, e muitas vezes era acertado por tijolos e outros objetos duros. Júlia não zelava muito o estudo, do qual vovô tinha muito amor. Mandava-0 trabalhar, para receber dinheiro e sustentar a casa. Baniu ele de estudar.
Cansado de sofrer, foi à São Paulo com quinze anos morar com uma prima. Uma casa simples e pequena ela tinha e vovô morava aos fundos. Para entrar em seu quarto, ele tinha de engatinhar. A porta era pequena, e o quarto muito frugal. A vida era sofrida, mas vovô queria muito ter uma formação e ser um homem de respeito.
O desespero corria entre suas veias. O primeiro emprego que encontrou foi dado pelo namorado da prima, de datilógrafo. Passava o dia em seu quarto, escrevendo para o namorado de sua prima. Comia apenas um prato de sopa por dia, e teve de aprender a sustentar seu corpo e mente com isso. Tinha duas blusas, uma calça e duas meias. As lavava constantemente, por não tinha outro trapo com o qual se vestir.
O namorado era um homem de uma índole suspeita, e parou com os pedidos de digitação. Sem datilografar, meu avô passou a não receber dinheiro e nem os pratos de sopa. Não tinha escolha a não ser chorar. Chorava de desespero, tristeza e de fome.
A preocupação, ou o sentimento de culpa, acredito eu, tomou conta do namorado de sua prima. Veio ao quarto de vovô perguntar porquê ele chorava. "Eu choro pois tenho fome", respondeu ele.
Com as datilografias, meu avô conseguiu terminar os estudos e passou a ser delegado de polícia. Casou-se com minha avó, e dela recebeu seu primeiro terno de presente. Com o passar do tempo, a vida se estabilizou. Vovô foi procurar sua mãe, para ajudá-la dando-lhe dinheiro, comida e roupas novas.
A única certeza de que tenho na vida, é que sempre admirarei meu avô. Um homem inigualável e batalhador.

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